Em agosto de 2025, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) apontou que a inadimplência alcançou o maior nível da série histórica. O percentual de famílias que disseram ter dívidas atingiu 78% no respectivo mês, sendo o maior número registrado desde novembro de 2022.
Segundo a pesquisa, o percentual de inadimplência — contas em atraso — chegou a 30,4%, o maior nível da série do relatório, indicando maior estresse no orçamento familiar e menor capacidade de honrar obrigações, o que dificulta a estabilidade financeira.
Por muitas vezes, a educação financeira é atrelada apenas à economia de recursos, mas, na verdade, refere-se à habilidade de gerenciar e compreender os próprios recursos de maneira responsável e consciente.
A partir do estudo realizado pela CNC, observa-se que o endividamento cresce mais no curto prazo, indicando que as famílias estão cada vez mais presas em ciclos de pagamento de dívidas recentes e, ao mesmo tempo, carregam atrasos antigos com custos elevados.
Diante desse cenário, a educação financeira se apresenta como uma ferramenta essencial para a vida diária das pessoas, mas por que ainda não faz parte do currículo escolar brasileiro? Uma entrevista realizada pela Universidade Federal de Pelotas com a assessora de investimentos Camila Fernandes, da InvestSmartXP, indicou que a falta de identificação com o tema — já que a maioria das pessoas não teve contato com educação financeira na infância, o que gera um ciclo de endividamento — e as desigualdades sociais — em que menos acesso significa menos oportunidades — são desafios que ainda precisam ser superados. Soma-se a isso a falta de infraestrutura em muitas escolas para o ensino de educação financeira.
As políticas públicas brasileiras vêm demonstrando resultados tímidos, como a implementação da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), lançada em 2010, a parceria entre o Ministério da Educação (MEC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que tornou obrigatória a educação financeira nas escolas, e o Projeto de Lei nº 2.747/24, que propõe tornar a Educação Financeira uma disciplina obrigatória. Ainda assim, essas iniciativas se mostram insuficientes diante da resistência cultural e da adesão desigual entre escolas privadas e públicas.
A Junior Achievement São Paulo se insere nesse ponto de atuação. Com programas que vão além da conscientização e trabalham, de forma prática, o desenvolvimento de habilidades financeiras aplicáveis ao cotidiano, o objetivo é apoiar estudantes e jovens na compreensão do dinheiro como meio de escolha, planejamento e autonomia, contribuindo para decisões mais responsáveis ao longo da vida.
A JA São Paulo atua com metodologias ativas, linguagem acessível e ferramentas simples, conectando a educação financeira à realidade vivida pelos jovens. O foco está na construção de hábitos, no entendimento do orçamento pessoal, no consumo consciente e na relação entre decisões financeiras e projetos de vida. Ao oferecer esse tipo de formação desde cedo, cria-se uma base mais sólida para enfrentar contextos de endividamento, instabilidade econômica e vulnerabilidade financeira, como os apontados pelos dados da PEIC.
A participação de grandes empresas como parceiras é fundamental. Ao atuar em conjunto com a JA, organizações ampliam o alcance da educação financeira, fortalecem suas agendas de impacto social e contribuem para a formação de jovens mais preparados para o mundo do trabalho e para a vida adulta. Trata-se de uma parceria que gera valor compartilhado: para os estudantes, para as empresas e para a sociedade, ao investir em uma competência essencial para a sustentabilidade econômica e social no longo prazo.
Os dados apresentados evidenciam que o endividamento das famílias brasileiras não é um fenômeno isolado, mas resultado de uma combinação de fatores estruturais, culturais e educacionais. Diante desse contexto, investir em educação financeira desde cedo deixa de ser uma ação complementar e passa a ser uma estratégia essencial para a construção de trajetórias mais sustentáveis, tanto no âmbito individual quanto coletivo.
Empresas investem na JA, que prepara voluntários para atuar em salas de aula e contribui para a formação de estudantes para o mercado de trabalho, que podem, inclusive, se tornar empresários. Entre em contato conosco por meio do nosso site ou pelo e-mail comunicacao@jasp.org.br e impacte a vida de milhares de jovens.
